O dilema da marca de veículos elétricos: por que alguns têm sucesso e outros não

A adoção de veículos elétricos (VE) está a remodelar a indústria automóvel, mas os fabricantes ainda estão a descobrir a melhor forma de integrar VE nas suas gamas. A questão não é se eles deveriam eletrificar, mas como – através de submarcas dedicadas ou eletrificando modelos existentes. Algumas abordagens funcionam claramente melhor do que outras.

A abordagem legada: nomes familiares eletrizantes

Muitos fabricantes de automóveis estabelecidos, como a Stellantis (Peugeot, Vauxhall) e a Mercedes-Benz, estão a optar por eletrificar os modelos existentes em vez de criar marcas inteiramente novas apenas para veículos elétricos. Essa estratégia tem uma vantagem importante: flexibilidade. Os fabricantes podem construir uma plataforma de veículo e adaptá-la para motores a gasolina, diesel, híbridos ou elétricos. Isto minimiza o risco, uma vez que a produção pode mudar com base na procura do consumidor.

Esta abordagem reconhece que os clientes muitas vezes priorizam o carro primeiro (por exemplo, um Peugeot 208 ou um Vauxhall Astra), sendo o trem de força uma consideração secundária. Se a procura de veículos eléctricos aumentar, as fábricas simplesmente produzirão menos versões de motores de combustão.

A ascensão das submarcas exclusivamente elétricas

Por outro lado, algumas montadoras estão apostando alto em submarcas dedicadas a veículos elétricos, como a linha Ioniq da Hyundai ou o renascimento do icônico Renault 5 pela Renault como um modelo somente EV. Essas marcas têm se mostrado surpreendentemente bem-sucedidas, sugerindo que uma lousa em branco pode atrair clientes ávidos por uma experiência totalmente elétrica.

A principal diferença? Identidade da marca. A Ioniq, por exemplo, posiciona-se como uma marca com visão de futuro e focada em veículos elétricos, enquanto a submarca EQ da Mercedes-Benz tem lutado para ganhar a mesma força.

Contradições internas: a mudança na estratégia da Volkswagen

Mesmo dentro de grandes grupos automotivos, não há um consenso claro. A Volkswagen, inicialmente empurrando agressivamente a sua submarca ID, está agora a recuar, integrando modelos EV na sua linha principal (por exemplo, a provável mudança de marca do ID Polo simplesmente como Polo). Isto sugere que a familiaridade e o reconhecimento da marca podem ser mais importantes do que uma identidade de VE separada.

A questão central: Por que as discrepâncias?

O sucesso de uma submarca de VE depende de vários fatores:

  • Posicionamento da marca: A submarca oferece uma identidade atraente e única?
  • Tempo de mercado: A submarca foi lançada quando a demanda por veículos elétricos era alta o suficiente para sustentá-la?
  • Lealdade do consumidor: Os clientes confiam mais na marca legada do fabricante do que em uma nova etiqueta exclusiva para veículos elétricos?

Em última análise, a indústria ainda está experimentando. Algumas montadoras estão apostando em marcas dedicadas a veículos elétricos, enquanto outras preferem eletrificar os modelos existentes. Os vencedores a longo prazo serão provavelmente aqueles que melhor compreenderem como equilibrar a inovação com a preferência do cliente.

A questão permanece em aberto: será o futuro dos VEs definido por novas marcas ousadas ou pela evolução de nomes estabelecidos? A resposta moldará o cenário automotivo nos próximos anos.